Boa tarde!
Diretamente de Bertioga, envio os resumos dos livros citados!
LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo, 34, 1999.
O autor delineia um painel da cibercultura, num ensaio dividido em 3 partes: Definições, Proposições e Problemas.
Em Definições, como o próprio nome indica, o autor define vários conceitos como ciberespaço, cibercultura, virtualidade (na filosofia, no senso comum e na informática), hipertexto (não é maravilhoso pensar na biblioteca como um hipertexto?), multimídia e multimodalismo, interatividade, tipos de navegação na world wide web (caçada e pilhagem).
Em Proposições o autor mostra e discute o conceito de universal sem totalidade (que permeia todo o livro) e o aplica nos movimentos sociais, nas artes, na nova relação com o saber (particularmente entristeci-me com o que ele afirma a respeito da importância capital do ensino básico e a situação que padecemos aqui) e a relação do ciberespaço com as cidades.
Em Problemas, o autor discute as diferentes críticas à cibercultura e busca responder as perguntas mais frequentes.
Pierre Levy define-se como um otimista em relação ao fenômeno da cibercultura, ressalta que ela não é boa nem má em si mesma, como fenômeno técnico-social ela reflete os interesses dos construtores e usuários. Ou seja, ela é vulnerável ao uso que os diferentes segmentos fazem dela.
Achei interessante ele citar Paulo Virilio e seu pessimismo quanto ao ciberespaço.
VIRILIO, Paulo. A estratégia da decepção. São Paulo, Estação Liberdade, 2000. 93p.
Nesta coletânea de 4 crônicas escritas em 1999 em que o autor analisa o conflito do Kosovo, pode-se destacar as novas formas de os Estados Unidos fazer guerra: desvencilhando-se da ONU e da OTAN, com ataques que cortam a energia elétrica e a transmissão de TV.
O autor denuncia o aparecimento da Guerra da Informação, que se fundamenta na presença permanente dos satélites sobre os territórios, a transmissão em tempo real das informações coletadas e a capacidade de análise rápida dos dados transmitidos.
Segundo o autor:
"Quando se tem consciência da importância estratégica dessa energia primordial nesta era de revolução da informação, compreende-se melhor a lógica desse ato de guerra que interrompe toda e qualquer comunicação... É a ingerência energética que renova totalmente a questão do bloqueio econômico... É exatamente isso a guerra da informação: o controle remoto da confusão, esse caos de opiniões que arremata o caos da destruição..."
O autor finaliza contando-nos a história da longa manipulação da opinião pública estadunidense, inclusive citando o National Security Decision Directive 75, política de propaganda norte-americana, que auxiliou no apoio da população estadunidense à intervenção do Kosovo.
Em sua consideração a Web, o autor cita Nicholas Negroponte, que diz "Com a liberação da informação na Web, o que mais falta é sentido, um contexto em que os internautas pudessem situar os fatos e distinguir o verdadeiro do falso". Segundo Virilio, a manipulação informacional daria este sentido.
sábado, 22 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Programa de pós-graduação_Infoeducação
Universidade de São Paulo
Escola de Comujnicações e Artes
Curso de Pos-Graduação (2008)
Disciplina:
Infoeducação: acesso e apropriação de informação na contemporaneidade
Prof. Dr. Edmir Perrotti
Profa. Dra. Ivete Pieruccini (Colaboradora)
Objetivo: Estudo das relações entre Informação e Educação, consideradas tanto em seus aspectos teóricos quanto práticos, tendo em vista a compreensão do papel dos dispositivos informacionais nos processos de apropriação e construção de conhecimento e cultura na contemporaneidade
Cronograma do Curso:
11.03 Apresentação do curso: a apropriação da informação como questão
educacional
18.03 Semana Santa
25.03 Módulo I : Protagonismo cultural
Protagonismo cultural e contemporaneidade: a Cibercultura em questão
Textos-base :
Pierre LEVY. Cibercultura
Paul Virilio. Estratégia da decepção.
Pierre LÉVY.Educação e Cybercultura
http://www.sescsp.org.br/sesc/conferencias_new/subindex.cfm?Referencia=168&ParamEnd=5
Entrevista de Paul Virilio à Folha de São Paulo, em 06.04.2003
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u54674.shtml
01.04 O conceito de protagonismo cultural
Textos-base :
Antonio Carlos Gomes da COSTA. O adolescente como protagonista
juvenil. Cadernos Juventude. Disponível em:
<http://www.adolec/P/cadernos/capitulo/cap07/cap07.htm>. Acesso em: 17 abr. 2007.
Celso J. Ferreti, Dagmar L. Zibas e Gisela Lobo B. P. Tartuce. O
protagonismo juvenil na literatura especializada e na reforma do
ensino médio. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.34, n.122, p.411-
423, maio/ago.2004. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cp/v34n122/22511.pdf>
Módulo 2: A apropriação simbólica
08.04 Conhecimento, transmissão e construção
Texto-base: Edgar Morin : Os sete saberes necessários à educação
do futuro.
Texto-complementar : « Entrevista com Edgar Morin »
In :MÁTHESIS
15.04 Conhecimento, tempo e espaço
Texto-base:
Bertrand Russel: « O conhecimento inútil » IN : O elogio ao ócio.
Texto complementar : Bruno Bethelheim : « A luta pelo significado »
IN : Psicanálise dos contos de fadas.
(Análise do filme: Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman)
22.04 Conhecimento e Experiência
Texto-base:
Walter Benjamin. « O narrador » IN: Magia e Técnica, Arte e
Política.
Textos-complementares:
Walter Benjamin. « Experiência e pobreza » IN: Magia e Técnica,
Arte e Política.
Edmir Perrotti. Station Mémoire
Ivete Pieruccini. Estação Memória : lembrar como projeto
29.04 Conhecimento, Cultura e Negociação Simbólica
Textos-base: Brunner, J.: «O estudo adequado do homem » IN: Atos
de significação
(Análise do texto de Lygia Bojunga Nunes, Corda Bamba)
Módulo 3: A Infoeducação
06.05 Saberes e fazeres da contemporaneidade : a infoeducação
Texto –base:
Edmir Perrotti e Ivete Pieruccini. Infoeducação : saberes e fazeres da
Contemporaneidade.
13.05 Saberes informacionais X Competências informacionais
Texto-base :
Phillipe Perrenoud : « A noção de competência » IN : Construir as
competências dentro da escola.
20.05 O conceito de dispositivo: As Estações do Conhecimento
Texto-base:
Ivete Pieruccini: A ordem informacional dialógica : estudo sobre a
busca de informação em educação. (Parte A- p.07-49)
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27143/tde-14032005-144512/
Texto-complementar : Revista Hermès, 25
27.05 A Estação do Conhecimento : bases para sua configuração (visita)
03.06 Projetos e Programas de Infoeducação
10.06 Seminário: O protagonismo cultural na cibercultura (Grupo 1)
17.06 Seminário : A apropriação simbólica na cibercultura (Grupo 2)
24.06 Seminário : a Infoeducação na cibercultura (Grupo 3) (entrega dos
trabalho finais )
AVALIAÇÃO
1- Fichamento dos textos (regularidade na entrega e qualidade do fichamento)
2- Participação/Contribuições ao curso
3- Seminários
4- Monografia individual : « Protagonismo cultural, Infoeducação e
Contemporaneidade »
BIBLIOGRAFIA:
ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5.ed. São Paulo: Perspectiva, 1978.
ALAVA, S., ETEVE, C. Médiation documentaire et éducation. Révue Française de
Pédagogie, Paris, n.127, p. 119-164, avril-juin, 1999.
ALAVA, S. org. Ciberespaço e formações abertas: rumo a novas práticas educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2002.
ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002.
BAJARD, E.Caminhos da escrita: espaços da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2002.
BENJAMIN, W. Experiência e pobreza. In: ______. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 114-119.
BENJAMIN, W. O narrador. Considerações sobre a obra de Nicolai Leskov. In: ______. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 197-221.
BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
BOSI, A. Considerações sobre o tempo e informação. Cidade do Conhecimento. São Paulo: USP, 1995. Disponível em: http://www.cidade.usp.br/textos/tempoinfo.html. Acesso em: abr. 2008.
BRUNER, J. Atos de significação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
_______. Para uma teoria da educação. Lisboa: Ensino, 1999.
_______. Piaget e Vygotsky: celebremos a divergência. In : HOUDÉ, O., MELJAC, C., orgs. O espírito piagetiano: homenagem internacional a Jean Piaget. Porto Alegre: Artmed, 2002. p.213-225.
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
BUTLEN, M. et al. Savoir lire avec les BCD. Paris: CRDP Créteil, 1996.
CASTELLS, M. Fim de milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 3)
_______. O poder da identidade. 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 2)
_______. A sociedade em rede. 3.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 1)
Chercher pour trouver: l´espace des élèves. Disponível em: http://www.ebsi.umontreal.ca/jetrouve/structur.htm Acesso 13.abr.2004
COHN, G. et al. Campo da comunicação: caracterização, problematizações e perspectivas. João Pessoa:Ed. Universitára, 2001.
COLL, C. Significado e sentido na aprendizagem escolar: reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. In : _______ Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 1994. p.145-159
CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos.
4 ed. São Paulo: Cortez, 2001.
DELANNOY, J. P. Guia para a transformação das bibliotecas escolares. Lisboa: Livros Horizonte, s/d.
DOLZ, J., OLLAGNIER, E orgs. O enigma da competência em educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FARIA, I. P. Estação Memória: lembrar como projeto.Contribuições ao estudo da mediação cultural. São Paulo, 1999. (Dissertação de mestrado apresentada à ECA/USP)
FRANÇA. Ministère de l´Education Nationale de la Recherche et de la Technologie. Le multimedia au CDI pour s´informer, produire, communiquer. Paris: CRDP Basse Normandie, 1999.
GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro
perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
GROSSI, E.P., BORDIN, J.orgs. Construtivismo pós-piagetiano: um novo paradigma sobre aprendizagem. Petrópolis:Vozes, 1993.
GUERTIN, H, BERNHARD, P. Chercher pour trouver: l´espace des élèves. Outil de recherche d´information. Bulletin des bibliothèques de France, Paris, N.4, p.85-89, 2003
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
HERMÈS: cognition, communication, politique. Le dispositif: entre usage et concept. Paris : CNRS Editions, n.25, 1999. 297p.
LAMEUL, G. Médiatisation de la relation pédagogique et posture enseignante. Disponível em: http://archiveseiah.univ-lemans.fr/EIAH2003/Pdf_annexes/Lameul.pdf. Acesso em: 12 mar. 2004
_______. Questionnement relatif à la notion de dispositif. Disponível em: http://www.educagri.fr/reseaux/cdr/colloq%202001/Lameul.pdf. Acesso em: 25 nov. 2003
LEITE, L.B. As dimensões interacionista e construtivista em Vygotsky e Piaget. Campinas: São Paulo:Cadernos Cedes, n. 24, jul. 1991.
LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed.34, 1999
_______. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996.
LURIA, A.R. Desenvolvimento cognitivo: seus fundamentos culturais e sociais. São Paulo: Ícone, 1990.
MANCE, E.A A revolução das redes: a colaboração solidária como alternativa pós capitalista à globalização atual. Petrópolis: Vozes, 2000.
MAJÓ, J. As mudanças tecnológicas e científicas na sociedade da informação: o papel da educação. In : GÓMEZ-GRANELL, C., VILA, I.,orgs. A cidade como projeto educativo. Porto Alegre: Artmed, 2003. p.57-66.
MARINETTI, F. Manifesto Futurista. Disponivel em: http://www.dhnet.org.br/desejos/textos/futurista.htm Acesso em: abr. 2008.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro :Bertrand Brasil, 2000.
_______. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
_______. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.
NUNES, L.B. Corda bamba. Rio de Janeiro : Agir, 1999.
PERAYA, D. O ciberespaço: um dispositivo de comunicação e de formação midiatizada. In : ALAVA, S., org. Ciberespaço e formações abertas. Porto Alegre: Artmed, 2002 p.25-52
ORTIZ, E. C. Esmeralda, por que não dancei. São Paulo: Senac, 2000.
ORTIZ, E. C. Diário de Rua. São Paulo: Salamandra, 2003.
PAZ, O. Conjunções e Disjunções. São Paulo: Perspectica, 1979.
PETIT, M. Os jovens e a leitura. São Paulo: 34, 2008.
PERRENOUD, P. Construir as competências dentro da escola. Porto Alegre: Artmed, s/d
PERROTTI, E. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Summus, 1991.
__________. Station Mémoire: une façon de dire l´ Histoire aux enfants. Nous voulons lire!, Bordeaux, n. 157, p. 7-13, 2004.
PERROTTI, E. O minotauro. São Paulo: Paulinas, 2005.
PERROTTI, E; PIERUCCINI, I. Infoeducação: saberes e fazeres da contemporaneidade (no prelo)
PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. São Paulo: Forense Universitária, s/d.
PIAGET, J., GRECCO, P. Aprendizagem e conhecimento. São Paulo: Freitas Bastos, 1974.
PLATÃO. Fedro. São Paulo : Martin Claret, 2002.
POURTOIS, J.P., DESMET, H. A educação pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1999.
RODRIGUES, Adriano Duarte. Comunicação e cultura: a experiência cultural na era da informação. Lisboa: Editorial Presença, 1994.
___________.Experiência, modernidade e campos dos media. Ciberlegenda, n.3, 2000. Disponível em: http://www.uff.br/mestcii/adriano.htm. Acesso em: 13 abr. 2004.
RUSSEL, B. O elogio ao ócio. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.
SANTOS, B. S. Introdução a uma ciência pós-moderna. Lisboa: Afrontamento, 1989.
________. Um discurso sobre as ciências. 11.ed. Lisboa: Afrontamento, 1999.
SCHERER-WARREN, I. Redes de movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 1996.
SILVA, W.C. Miséria da biblioteca escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
SOARES, I. O. Sociedade da informação ou da comunicação. São Paulo: Cidade Nova, 1996.
TAKAHASHI, T., org. Sociedade da informação no Brasil: livro verde. Brasília: Ministério da Ciência, 2000.
VIRILIO, P. Estratégia da decepção. São Paulo: Estação Liberdade, 2000.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
WALLON, H. Psicologia e educação da criança. Lisboa:Veja Universidade, 1979.
WEIL, S. A racionalização. In: BOSI, E., org. A condição operária e outros estudos sobre a opressão. 2.ed. São Paulo, Paz e Terra, 1996. p. 135-154.
Escola de Comujnicações e Artes
Curso de Pos-Graduação (2008)
Disciplina:
Infoeducação: acesso e apropriação de informação na contemporaneidade
Prof. Dr. Edmir Perrotti
Profa. Dra. Ivete Pieruccini (Colaboradora)
Objetivo: Estudo das relações entre Informação e Educação, consideradas tanto em seus aspectos teóricos quanto práticos, tendo em vista a compreensão do papel dos dispositivos informacionais nos processos de apropriação e construção de conhecimento e cultura na contemporaneidade
Cronograma do Curso:
11.03 Apresentação do curso: a apropriação da informação como questão
educacional
18.03 Semana Santa
25.03 Módulo I : Protagonismo cultural
Protagonismo cultural e contemporaneidade: a Cibercultura em questão
Textos-base :
Pierre LEVY. Cibercultura
Paul Virilio. Estratégia da decepção.
Pierre LÉVY.Educação e Cybercultura
http://www.sescsp.org.br/sesc/conferencias_new/subindex.cfm?Referencia=168&ParamEnd=5
Entrevista de Paul Virilio à Folha de São Paulo, em 06.04.2003
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u54674.shtml
01.04 O conceito de protagonismo cultural
Textos-base :
Antonio Carlos Gomes da COSTA. O adolescente como protagonista
juvenil. Cadernos Juventude. Disponível em:
<http://www.adolec/P/cadernos/capitulo/cap07/cap07.htm>. Acesso em: 17 abr. 2007.
Celso J. Ferreti, Dagmar L. Zibas e Gisela Lobo B. P. Tartuce. O
protagonismo juvenil na literatura especializada e na reforma do
ensino médio. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.34, n.122, p.411-
423, maio/ago.2004. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cp/v34n122/22511.pdf>
Módulo 2: A apropriação simbólica
08.04 Conhecimento, transmissão e construção
Texto-base: Edgar Morin : Os sete saberes necessários à educação
do futuro.
Texto-complementar : « Entrevista com Edgar Morin »
In :MÁTHESIS
15.04 Conhecimento, tempo e espaço
Texto-base:
Bertrand Russel: « O conhecimento inútil » IN : O elogio ao ócio.
Texto complementar : Bruno Bethelheim : « A luta pelo significado »
IN : Psicanálise dos contos de fadas.
(Análise do filme: Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman)
22.04 Conhecimento e Experiência
Texto-base:
Walter Benjamin. « O narrador » IN: Magia e Técnica, Arte e
Política.
Textos-complementares:
Walter Benjamin. « Experiência e pobreza » IN: Magia e Técnica,
Arte e Política.
Edmir Perrotti. Station Mémoire
Ivete Pieruccini. Estação Memória : lembrar como projeto
29.04 Conhecimento, Cultura e Negociação Simbólica
Textos-base: Brunner, J.: «O estudo adequado do homem » IN: Atos
de significação
(Análise do texto de Lygia Bojunga Nunes, Corda Bamba)
Módulo 3: A Infoeducação
06.05 Saberes e fazeres da contemporaneidade : a infoeducação
Texto –base:
Edmir Perrotti e Ivete Pieruccini. Infoeducação : saberes e fazeres da
Contemporaneidade.
13.05 Saberes informacionais X Competências informacionais
Texto-base :
Phillipe Perrenoud : « A noção de competência » IN : Construir as
competências dentro da escola.
20.05 O conceito de dispositivo: As Estações do Conhecimento
Texto-base:
Ivete Pieruccini: A ordem informacional dialógica : estudo sobre a
busca de informação em educação. (Parte A- p.07-49)
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27143/tde-14032005-144512/
Texto-complementar : Revista Hermès, 25
27.05 A Estação do Conhecimento : bases para sua configuração (visita)
03.06 Projetos e Programas de Infoeducação
10.06 Seminário: O protagonismo cultural na cibercultura (Grupo 1)
17.06 Seminário : A apropriação simbólica na cibercultura (Grupo 2)
24.06 Seminário : a Infoeducação na cibercultura (Grupo 3) (entrega dos
trabalho finais )
AVALIAÇÃO
1- Fichamento dos textos (regularidade na entrega e qualidade do fichamento)
2- Participação/Contribuições ao curso
3- Seminários
4- Monografia individual : « Protagonismo cultural, Infoeducação e
Contemporaneidade »
BIBLIOGRAFIA:
ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5.ed. São Paulo: Perspectiva, 1978.
ALAVA, S., ETEVE, C. Médiation documentaire et éducation. Révue Française de
Pédagogie, Paris, n.127, p. 119-164, avril-juin, 1999.
ALAVA, S. org. Ciberespaço e formações abertas: rumo a novas práticas educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2002.
ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002.
BAJARD, E.Caminhos da escrita: espaços da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2002.
BENJAMIN, W. Experiência e pobreza. In: ______. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 114-119.
BENJAMIN, W. O narrador. Considerações sobre a obra de Nicolai Leskov. In: ______. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 197-221.
BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
BOSI, A. Considerações sobre o tempo e informação. Cidade do Conhecimento. São Paulo: USP, 1995. Disponível em: http://www.cidade.usp.br/textos/tempoinfo.html
BRUNER, J. Atos de significação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
_______. Para uma teoria da educação. Lisboa: Ensino, 1999.
_______. Piaget e Vygotsky: celebremos a divergência. In : HOUDÉ, O., MELJAC, C., orgs. O espírito piagetiano: homenagem internacional a Jean Piaget. Porto Alegre: Artmed, 2002. p.213-225.
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
BUTLEN, M. et al. Savoir lire avec les BCD. Paris: CRDP Créteil, 1996.
CASTELLS, M. Fim de milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 3)
_______. O poder da identidade. 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 2)
_______. A sociedade em rede. 3.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (A era da informação: economia, sociedade e cultura, 1)
Chercher pour trouver: l´espace des élèves. Disponível em: http://www.ebsi.umontreal.ca/jetrouve/structur.htm Acesso 13.abr.2004
COHN, G. et al. Campo da comunicação: caracterização, problematizações e perspectivas. João Pessoa:Ed. Universitára, 2001.
COLL, C. Significado e sentido na aprendizagem escolar: reflexões em torno do conceito de aprendizagem significativa. In : _______ Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 1994. p.145-159
CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos.
4 ed. São Paulo: Cortez, 2001.
DELANNOY, J. P. Guia para a transformação das bibliotecas escolares. Lisboa: Livros Horizonte, s/d.
DOLZ, J., OLLAGNIER, E orgs. O enigma da competência em educação. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FARIA, I. P. Estação Memória: lembrar como projeto.Contribuições ao estudo da mediação cultural. São Paulo, 1999. (Dissertação de mestrado apresentada à ECA/USP)
FRANÇA. Ministère de l´Education Nationale de la Recherche et de la Technologie. Le multimedia au CDI pour s´informer, produire, communiquer. Paris: CRDP Basse Normandie, 1999.
GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro
perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
GROSSI, E.P., BORDIN, J.orgs. Construtivismo pós-piagetiano: um novo paradigma sobre aprendizagem. Petrópolis:Vozes, 1993.
GUERTIN, H, BERNHARD, P. Chercher pour trouver: l´espace des élèves. Outil de recherche d´information. Bulletin des bibliothèques de France, Paris, N.4, p.85-89, 2003
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
HERMÈS: cognition, communication, politique. Le dispositif: entre usage et concept. Paris : CNRS Editions, n.25, 1999. 297p.
LAMEUL, G. Médiatisation de la relation pédagogique et posture enseignante. Disponível em: http://archiveseiah.univ-lemans.fr/EIAH2003/Pdf_annexes/Lameul.pdf. Acesso em: 12 mar. 2004
_______. Questionnement relatif à la notion de dispositif. Disponível em: http://www.educagri.fr/reseaux/cdr/colloq%202001/Lameul.pdf. Acesso em: 25 nov. 2003
LEITE, L.B. As dimensões interacionista e construtivista em Vygotsky e Piaget. Campinas: São Paulo:Cadernos Cedes, n. 24, jul. 1991.
LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed.34, 1999
_______. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996.
LURIA, A.R. Desenvolvimento cognitivo: seus fundamentos culturais e sociais. São Paulo: Ícone, 1990.
MANCE, E.A A revolução das redes: a colaboração solidária como alternativa pós capitalista à globalização atual. Petrópolis: Vozes, 2000.
MAJÓ, J. As mudanças tecnológicas e científicas na sociedade da informação: o papel da educação. In : GÓMEZ-GRANELL, C., VILA, I.,orgs. A cidade como projeto educativo. Porto Alegre: Artmed, 2003. p.57-66.
MARINETTI, F. Manifesto Futurista. Disponivel em: http://www.dhnet.org.br/desejos/textos/futurista.htm Acesso em: abr. 2008.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro :Bertrand Brasil, 2000.
_______. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
_______. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.
NUNES, L.B. Corda bamba. Rio de Janeiro : Agir, 1999.
PERAYA, D. O ciberespaço: um dispositivo de comunicação e de formação midiatizada. In : ALAVA, S., org. Ciberespaço e formações abertas. Porto Alegre: Artmed, 2002 p.25-52
ORTIZ, E. C. Esmeralda, por que não dancei. São Paulo: Senac, 2000.
ORTIZ, E. C. Diário de Rua. São Paulo: Salamandra, 2003.
PAZ, O. Conjunções e Disjunções. São Paulo: Perspectica, 1979.
PETIT, M. Os jovens e a leitura. São Paulo: 34, 2008.
PERRENOUD, P. Construir as competências dentro da escola. Porto Alegre: Artmed, s/d
PERROTTI, E. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Summus, 1991.
__________. Station Mémoire: une façon de dire l´ Histoire aux enfants. Nous voulons lire!, Bordeaux, n. 157, p. 7-13, 2004.
PERROTTI, E. O minotauro. São Paulo: Paulinas, 2005.
PERROTTI, E; PIERUCCINI, I. Infoeducação: saberes e fazeres da contemporaneidade (no prelo)
PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. São Paulo: Forense Universitária, s/d.
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RODRIGUES, Adriano Duarte. Comunicação e cultura: a experiência cultural na era da informação. Lisboa: Editorial Presença, 1994.
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VIRILIO, P. Estratégia da decepção. São Paulo: Estação Liberdade, 2000.
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WEIL, S. A racionalização. In: BOSI, E., org. A condição operária e outros estudos sobre a opressão. 2.ed. São Paulo, Paz e Terra, 1996. p. 135-154.
Sugestão de website de sebos
Boa tarde!
Caso vocês tenham dificuldade em achar os livros Cibercultura e Estratégia da decepção e não se importem em comprá-los em sebos, recomendo o website www.estantevirtual.com.br que congrega vários sebos em todo o Brasil com preços variados. Já comprei os meus exemplares lá.
Um abraço!
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terça-feira, 11 de março de 2008
Decepção e reparação, por Ignácio de Loyola Brandão. Estado de S. Paulo, 07/03/2008
Decepção e reparação
Ignácio de Loyola Brandão
07/03/2008
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O Estado de S. Paulo – 7/3/2008Semana passada, por 24 horas, o prefeito Gilberto Kassab perdeu meu voto e meu provável apoio. Quero dizer que gosto dele como prefeito. Só a Lei Cidade Limpa que despoluiu visualmente a cidade, tornando-a menos feia, já foi um grande feito. Por alguns momentos ele me deixou, como escritor e brasileiro, profundamente decepcionado. Ligou-me um repórter da Jovem Pan, de nome Wellington, pedindo minha opinião sobre o decreto do prefeito que extinguia quatro bibliotecas públicas na cidade. Respondi que não sabia disso. E o repórter: "Conversei com o secretário Calil que me disse ter sido essa uma sugestão do Conselho Municipal de Bibliotecas ao qual o senhor pertence." Sim, fui chamado para esse Conselho, mas jamais me convocaram ou me avisaram de uma única reunião. Portanto, se houve uma decisão desse Conselho, foi à minha revelia, pelas minhas costas. Não tem minha assinatura tal decisão, jamais a tomaria, declarei.Na entrevista, deplorei profundamente a atitude de Kassab. Em um Brasil sem bibliotecas, o que precisamos é abrir muitas, é torná-las dinâmicas, modificando o funcionamento, atraindo freqüentadores. Num país em que o livro é caro, a biblioteca é fundamental, é ponto de apoio e principalmente de partida. Wellington me contou que o secretário Caiu teria argumentado que a biblioteca de Vila Mariana está localizada em um buraco e é freqüentada por "uns poucos gatos". Não ouvi a declaração, repasso como o radialista me contou. Mas tudo é possível.Não passou pela cabeça do prefeito e do seu secretário que em lugar de fechar o melhor seriam reformas, mudança de lugar, modificação da maneira de trabalhar? Bibliotecas não podem ser passivas, precisam ser ativas, promover coisas, tornarem-se atraentes, interessantes. Há no Brasil uma enorme incompreensão em relação a elas. Viajo e o que vejo, quando existe a biblioteca (prestem atenção, quando existe) me estarrece. Em geral, enviam para elas velhos funcionários às vésperas da aposentaria. Lugar de encosto. Gente que só espera cumprir tempo de serviço e fica ali sentada atendendo com má vontade, mandando crianças ficarem quietas, reprimindo. Uma vez, em Campo Grande, numa escola em que meus filhos estudavam, a biblioteca era o lugar de castigo. Punia-se trancando o aluno na biblioteca. Ou seja, criava-se uma relação de desgosto. Quando se deve criar amor.Outra vez, em uma cidade de Minas Gerais, fui à biblioteca e perguntei à funcionária que me atendeu: quantos livros tem o acervo? O que, acervo? O que é isso? Quantos livros tem na biblioteca? Não sei. Sabe se tem algum livro meu? Quem é o senhor? Disse meu nome. Procura por aí. Está pela ordem alfabética do título ou do autor? Não sei. A senhora não é a bibliotecária? Não, sou a faxineira e fico tomando conta quando a bibliotecária vai almoçar, ou tem de ir ao médico, ou tem de falar com o prefeito, ou vai ao cabeleireiro, ou vai fazer compras. Em cada biblioteca que passo, pergunto: qual é o critério para a compra de livros? Em 90% dos lugares, respondem-me: quando há verba, recorremos à lista da Veja para saber o que o público quer. Parece-me um raciocínio perverso, porque raramente os melhores e os bons livros estão nas páginas da Veja. Perceberam o detalhe? Quando há verbas.Já tivemos alguns programas interessantes em relação às bibliotecas em São Paulo. Um ‘deles foi O Escritor na Biblioteca. Íamos falar para estudantes, batíamos papo, respondíamos as perguntas. Íamos, ainda que ganhando muito mal. Agitávamos o bairro. Em geral, eu escolhia locais mais distantes e encontrava funcionários incríveis, felizes com o evento (não gosto desta palavra). Nunca me esqueço uma tarde em Campo Limpo, horas e horas de perguntas. Houve também um encontro na Biblioteca de Santana. A diretora, ativa, tinha feito intenso trabalho de divulgação e de arregimentação, alunos surgiram de todos os lados. Não cabíamos na biblioteca. A diretora teve uma idéia. Fomos para a praça Tenório de Aguiar, levamos a mesa, o sistema de som, os alunos sentaram-se no meio-fio, embaixo das árvores. Todos felizes. Quase uma tarde inteira de fala e respostas. Os vizinhos saíam na calçada, mulheres traziam café, uma veio com bolinhos de chuva. Passou um ônibus, parou, os passageiros puseram as caras fora da janela. A TV Bandeirantes foi cobrir. Um encontro inesquecível. Aposto que também ficou na memória daqueles jovens.Bem, voltemos ao fechamento das quatro unidades. No dia seguinte, o assunto do fechamento de bibliotecas foi o tema da reunião da Academia Paulista de Letras, com indignação geral e a aprovação de uma carta de protesto ao prefeito. Logo depois, soubemos. Kassab, que vem deu ma família de boa linhagem intelectual, afinal seu pai foi diretor de uma das melhores escolas desta cidade, o Liceu Pasteur, revogou o decreto. Descancelou. Parece que as bibliotecas continuarão. Um homem que volta atrás tem dignidade, mostra integridade. Gostaríamos que ele não só não fechasse nada, como abrisse mais bibliotecas. Que destine verbas e contrate pessoal. Que monte um projeto de modernização que avance no setor. Vejo pela cidade empresas responsáveis pela conservação de praças. Por que não conseguir empresas que se responsabilizem pela conservação de bibliotecas?
Ignácio de Loyola Brandão
07/03/2008
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O Estado de S. Paulo – 7/3/2008Semana passada, por 24 horas, o prefeito Gilberto Kassab perdeu meu voto e meu provável apoio. Quero dizer que gosto dele como prefeito. Só a Lei Cidade Limpa que despoluiu visualmente a cidade, tornando-a menos feia, já foi um grande feito. Por alguns momentos ele me deixou, como escritor e brasileiro, profundamente decepcionado. Ligou-me um repórter da Jovem Pan, de nome Wellington, pedindo minha opinião sobre o decreto do prefeito que extinguia quatro bibliotecas públicas na cidade. Respondi que não sabia disso. E o repórter: "Conversei com o secretário Calil que me disse ter sido essa uma sugestão do Conselho Municipal de Bibliotecas ao qual o senhor pertence." Sim, fui chamado para esse Conselho, mas jamais me convocaram ou me avisaram de uma única reunião. Portanto, se houve uma decisão desse Conselho, foi à minha revelia, pelas minhas costas. Não tem minha assinatura tal decisão, jamais a tomaria, declarei.Na entrevista, deplorei profundamente a atitude de Kassab. Em um Brasil sem bibliotecas, o que precisamos é abrir muitas, é torná-las dinâmicas, modificando o funcionamento, atraindo freqüentadores. Num país em que o livro é caro, a biblioteca é fundamental, é ponto de apoio e principalmente de partida. Wellington me contou que o secretário Caiu teria argumentado que a biblioteca de Vila Mariana está localizada em um buraco e é freqüentada por "uns poucos gatos". Não ouvi a declaração, repasso como o radialista me contou. Mas tudo é possível.Não passou pela cabeça do prefeito e do seu secretário que em lugar de fechar o melhor seriam reformas, mudança de lugar, modificação da maneira de trabalhar? Bibliotecas não podem ser passivas, precisam ser ativas, promover coisas, tornarem-se atraentes, interessantes. Há no Brasil uma enorme incompreensão em relação a elas. Viajo e o que vejo, quando existe a biblioteca (prestem atenção, quando existe) me estarrece. Em geral, enviam para elas velhos funcionários às vésperas da aposentaria. Lugar de encosto. Gente que só espera cumprir tempo de serviço e fica ali sentada atendendo com má vontade, mandando crianças ficarem quietas, reprimindo. Uma vez, em Campo Grande, numa escola em que meus filhos estudavam, a biblioteca era o lugar de castigo. Punia-se trancando o aluno na biblioteca. Ou seja, criava-se uma relação de desgosto. Quando se deve criar amor.Outra vez, em uma cidade de Minas Gerais, fui à biblioteca e perguntei à funcionária que me atendeu: quantos livros tem o acervo? O que, acervo? O que é isso? Quantos livros tem na biblioteca? Não sei. Sabe se tem algum livro meu? Quem é o senhor? Disse meu nome. Procura por aí. Está pela ordem alfabética do título ou do autor? Não sei. A senhora não é a bibliotecária? Não, sou a faxineira e fico tomando conta quando a bibliotecária vai almoçar, ou tem de ir ao médico, ou tem de falar com o prefeito, ou vai ao cabeleireiro, ou vai fazer compras. Em cada biblioteca que passo, pergunto: qual é o critério para a compra de livros? Em 90% dos lugares, respondem-me: quando há verba, recorremos à lista da Veja para saber o que o público quer. Parece-me um raciocínio perverso, porque raramente os melhores e os bons livros estão nas páginas da Veja. Perceberam o detalhe? Quando há verbas.Já tivemos alguns programas interessantes em relação às bibliotecas em São Paulo. Um ‘deles foi O Escritor na Biblioteca. Íamos falar para estudantes, batíamos papo, respondíamos as perguntas. Íamos, ainda que ganhando muito mal. Agitávamos o bairro. Em geral, eu escolhia locais mais distantes e encontrava funcionários incríveis, felizes com o evento (não gosto desta palavra). Nunca me esqueço uma tarde em Campo Limpo, horas e horas de perguntas. Houve também um encontro na Biblioteca de Santana. A diretora, ativa, tinha feito intenso trabalho de divulgação e de arregimentação, alunos surgiram de todos os lados. Não cabíamos na biblioteca. A diretora teve uma idéia. Fomos para a praça Tenório de Aguiar, levamos a mesa, o sistema de som, os alunos sentaram-se no meio-fio, embaixo das árvores. Todos felizes. Quase uma tarde inteira de fala e respostas. Os vizinhos saíam na calçada, mulheres traziam café, uma veio com bolinhos de chuva. Passou um ônibus, parou, os passageiros puseram as caras fora da janela. A TV Bandeirantes foi cobrir. Um encontro inesquecível. Aposto que também ficou na memória daqueles jovens.Bem, voltemos ao fechamento das quatro unidades. No dia seguinte, o assunto do fechamento de bibliotecas foi o tema da reunião da Academia Paulista de Letras, com indignação geral e a aprovação de uma carta de protesto ao prefeito. Logo depois, soubemos. Kassab, que vem deu ma família de boa linhagem intelectual, afinal seu pai foi diretor de uma das melhores escolas desta cidade, o Liceu Pasteur, revogou o decreto. Descancelou. Parece que as bibliotecas continuarão. Um homem que volta atrás tem dignidade, mostra integridade. Gostaríamos que ele não só não fechasse nada, como abrisse mais bibliotecas. Que destine verbas e contrate pessoal. Que monte um projeto de modernização que avance no setor. Vejo pela cidade empresas responsáveis pela conservação de praças. Por que não conseguir empresas que se responsabilizem pela conservação de bibliotecas?
Bibliotecas para quem? por Carlos Augusto Calil. Folha de S. Paulo, 6/3/2008
Bibliotecas para quem?
Artigo - Carlos Augusto Calil
Folha de S. Paulo
6/3/2008
Desativar uma biblioteca enquanto se constroem outras não é o apocalipse; é prioridade recuperar o papel estratégico das bibliotecas
RECENTES MEDIDAS da Secretaria Municipal de Cultura, amparadas em estudos e decisões técnicas do Sistema Municipal de Bibliotecas, causaram polêmica na imprensa. A notícia que circulou é que a prefeitura iria fechar quatro de suas bibliotecas, o que não corresponde exatamente à verdade. A reação, desproporcional ao fato, foi alimentada por questões de natureza emocional e, certamente, simbólica. Quem seria favorável ao fechamento de bibliotecas? Na tábula rasa que se tenta produzir como conseqüência, apareceu maliciosamente a insinuação de que a prefeitura não possui uma política para as suas bibliotecas. Nada mais injusto. Um dos principais objetivos desta gestão na área cultural é justamente revigorar e ampliar a rede de bibliotecas municipais, uma das maiores do mundo. Constituída a partir do decênio de 1940, sua expansão se consolidou nos anos 1960, a partir do conceito de descentralização, defendido por Mário de Andrade, o primeiro secretário de Cultura de São Paulo. Nos bairros, a vocação iluminista das bibliotecas era apoiada na complementaridade com a função educativa. Escola pública e biblioteca eram sinônimos de excelência na oferta de serviços pelos governos. A decadência da escola levou ao abandono da biblioteca de seu público privilegiado, o estudante. Bibliotecas de referência, como a Mário de Andrade e a Monteiro Lobato, com a debandada da população do centro, viram-se subitamente esvaziadas de seu papel de irradiadoras da alta cultura e de pólos aglutinadores da vida inteligente da cidade. A rede de bibliotecas públicas se deteriorou. No início de 2005, as bibliotecas eram administradas pelas subprefeituras, poucas delas em condições de mantê-las. De telhados avariados a livros mutilados, equipamentos obsoletos e catalogação suspensa, o quadro era desesperador. Sem espaço para receber novos exemplares, com problemas de infiltração, coleções de periódicos abandonadas etc., há tempos a biblioteca Mário de Andrade, segunda mais importante do país, aguardava ação de revitalização, que veio com o projeto de reforma e expansão ora em curso, com investimento de R$ 25 milhões. O descrédito na atuação do poder público era tal que se tornou indispensável elaborar um amplo leque de medidas que visasse a reverter tal situação. Essa política de revitalização incluía necessariamente a criação do Sistema Municipal de Bibliotecas, com o objetivo de dotar a prefeitura de instrumento de racionalização e modernização da rede. A recuperação do papel estratégico das bibliotecas na cultura da cidade tornou-se prioridade. Antes de tudo, a coleção precisava ser radicalmente renovada, e, por este motivo, investimos R$ 3,6 milhões na compra de 150 mil exemplares de livros e na assinatura de 97 títulos de periódicos. Reformas em 23 bibliotecas restituíram as condições mínimas de conforto dessas edificações e receberam investimento de cerca de R$ 2,5 milhões. Em 2008, 15 novas obras deverão ser iniciadas, atendendo à necessidade de metade da rede. Novas bibliotecas serão construídas em Cidade Tiradentes e Itaquera, com início das obras previsto para este ano, e a rede dos CEUs se expande rapidamente na periferia. O projeto Bibliotecas Temáticas indicou que investir em acervos especializados nas unidades é um caminho promissor. Já estão em operação quatro unidades temáticas em poesia, cultura popular, música popular brasileira e contos de fadas, e mais seis serão implantadas ainda neste ano. Outras medidas vêm sendo adotadas: renovação da frota dos ônibus-biblioteca, que operava com os mesmos veículos desde 1991; implantação de pontos de leitura (minibibliotecas em regiões carentes); ampliação dos bosques de leitura nos parques municipais; instalação de telecentros nas bibliotecas em condições de acessibilidade, que já abrangem um terço da rede; e, claro, a retomada da catalogação do acervo. Nada disso será consolidado se não pudermos contratar novos bibliotecários: um concurso para preencher 180 vagas já está aberto, com prova prevista para 27 de abril. Esse esforço ainda não é suficiente, mas sinaliza a via de superação do atraso acumulado. Essas ações são possíveis graças à duplicação do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura ocorrida na gestão Serra/ Kassab, de R$ 150 milhões em 2005 para R$ 300 milhões em 2008. Na racionalização dos recursos, é preciso agir com coragem para romper o imobilismo instaurado há anos. Desativar uma biblioteca enquanto se constroem outras não é o apocalipse anunciado com trombetas. Mas a mobilização da comunidade em torno das medidas de revitalização pode significar o fim da indiferença pelo destino de nossas bibliotecas. E então todo esse barulho terá valido a pena. CARLOS AUGUSTO CALIL, 56, é secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Documentarista e escritor, é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Foi diretor do Centro Cultural São Paulo (20001-2005).
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Artigo - Carlos Augusto Calil
Folha de S. Paulo
6/3/2008
Desativar uma biblioteca enquanto se constroem outras não é o apocalipse; é prioridade recuperar o papel estratégico das bibliotecas
RECENTES MEDIDAS da Secretaria Municipal de Cultura, amparadas em estudos e decisões técnicas do Sistema Municipal de Bibliotecas, causaram polêmica na imprensa. A notícia que circulou é que a prefeitura iria fechar quatro de suas bibliotecas, o que não corresponde exatamente à verdade. A reação, desproporcional ao fato, foi alimentada por questões de natureza emocional e, certamente, simbólica. Quem seria favorável ao fechamento de bibliotecas? Na tábula rasa que se tenta produzir como conseqüência, apareceu maliciosamente a insinuação de que a prefeitura não possui uma política para as suas bibliotecas. Nada mais injusto. Um dos principais objetivos desta gestão na área cultural é justamente revigorar e ampliar a rede de bibliotecas municipais, uma das maiores do mundo. Constituída a partir do decênio de 1940, sua expansão se consolidou nos anos 1960, a partir do conceito de descentralização, defendido por Mário de Andrade, o primeiro secretário de Cultura de São Paulo. Nos bairros, a vocação iluminista das bibliotecas era apoiada na complementaridade com a função educativa. Escola pública e biblioteca eram sinônimos de excelência na oferta de serviços pelos governos. A decadência da escola levou ao abandono da biblioteca de seu público privilegiado, o estudante. Bibliotecas de referência, como a Mário de Andrade e a Monteiro Lobato, com a debandada da população do centro, viram-se subitamente esvaziadas de seu papel de irradiadoras da alta cultura e de pólos aglutinadores da vida inteligente da cidade. A rede de bibliotecas públicas se deteriorou. No início de 2005, as bibliotecas eram administradas pelas subprefeituras, poucas delas em condições de mantê-las. De telhados avariados a livros mutilados, equipamentos obsoletos e catalogação suspensa, o quadro era desesperador. Sem espaço para receber novos exemplares, com problemas de infiltração, coleções de periódicos abandonadas etc., há tempos a biblioteca Mário de Andrade, segunda mais importante do país, aguardava ação de revitalização, que veio com o projeto de reforma e expansão ora em curso, com investimento de R$ 25 milhões. O descrédito na atuação do poder público era tal que se tornou indispensável elaborar um amplo leque de medidas que visasse a reverter tal situação. Essa política de revitalização incluía necessariamente a criação do Sistema Municipal de Bibliotecas, com o objetivo de dotar a prefeitura de instrumento de racionalização e modernização da rede. A recuperação do papel estratégico das bibliotecas na cultura da cidade tornou-se prioridade. Antes de tudo, a coleção precisava ser radicalmente renovada, e, por este motivo, investimos R$ 3,6 milhões na compra de 150 mil exemplares de livros e na assinatura de 97 títulos de periódicos. Reformas em 23 bibliotecas restituíram as condições mínimas de conforto dessas edificações e receberam investimento de cerca de R$ 2,5 milhões. Em 2008, 15 novas obras deverão ser iniciadas, atendendo à necessidade de metade da rede. Novas bibliotecas serão construídas em Cidade Tiradentes e Itaquera, com início das obras previsto para este ano, e a rede dos CEUs se expande rapidamente na periferia. O projeto Bibliotecas Temáticas indicou que investir em acervos especializados nas unidades é um caminho promissor. Já estão em operação quatro unidades temáticas em poesia, cultura popular, música popular brasileira e contos de fadas, e mais seis serão implantadas ainda neste ano. Outras medidas vêm sendo adotadas: renovação da frota dos ônibus-biblioteca, que operava com os mesmos veículos desde 1991; implantação de pontos de leitura (minibibliotecas em regiões carentes); ampliação dos bosques de leitura nos parques municipais; instalação de telecentros nas bibliotecas em condições de acessibilidade, que já abrangem um terço da rede; e, claro, a retomada da catalogação do acervo. Nada disso será consolidado se não pudermos contratar novos bibliotecários: um concurso para preencher 180 vagas já está aberto, com prova prevista para 27 de abril. Esse esforço ainda não é suficiente, mas sinaliza a via de superação do atraso acumulado. Essas ações são possíveis graças à duplicação do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura ocorrida na gestão Serra/ Kassab, de R$ 150 milhões em 2005 para R$ 300 milhões em 2008. Na racionalização dos recursos, é preciso agir com coragem para romper o imobilismo instaurado há anos. Desativar uma biblioteca enquanto se constroem outras não é o apocalipse anunciado com trombetas. Mas a mobilização da comunidade em torno das medidas de revitalização pode significar o fim da indiferença pelo destino de nossas bibliotecas. E então todo esse barulho terá valido a pena. CARLOS AUGUSTO CALIL, 56, é secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Documentarista e escritor, é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Foi diretor do Centro Cultural São Paulo (20001-2005).
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
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